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'Achei que era um filme de terror', diz mãe de jovem que levou facada na cabeça em Santa Maria

'Achei que era um filme de terror', diz mãe de jovem que levou facada na cabeça em Santa Maria

04/10/2019 16h33 Atualizada há 2 anos
Por: Redação

O jovem, de 19 anos, que foi atacado com uma facada na cabeça, na quarta-feira (2), está em estado estável no Hospital Universitário, em Santa Maria, na Regão Central do estado. Ele está sedado e aguarda por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

"Quando olhei, achei que fosse um filme de terror. Os braços caíram. Chamei os irmãos dele e meu esposo. Não sei como consegui forças para me manter e não deixar que ele arrancasse a faca."

De acordo com o último boletim médico, ele foi desentubado, está estável e segue na sala de recuperação do bloco cirúrgico. Ainda não há previsão de transferência para a UTI.

Conforme relato da mãe, ele responde a estímulos. Em sua última visita, ela diz que ele demonstrou consciência e ficou agitado.

Apesar da preocupação com o filho, a mulher diz que está melhor do que na madrugada em que ele chegou, por volta da 1h40, com a faca de açougueiro encravada no crânio.

"Ele é alto, forte, tem 1,90m. Normalmente bate forte na porta. Desta vez, bateu bem fraquinho", disse.

'Ele mesmo tentou puxar'

A mãe do jovem diz que ele ficou consciente o tempo todo. Permanecia em pé e se negava a atender os pedidos de que se sentasse. Permaneceu muitos minutos em frente ao espelho, pedindo para que retirassem a faca, enquanto a ambulância do Samu não chegava.

"Ele mesmo tentou puxar, mas [a faca] estava cravada no osso, e não conseguiu. Estava sangrando muito. A sala ficou um sangue só. Não tinha esperança que fosse sair dessa, de tanto sangue que perdeu", afirma a mãe.

Em todos os procedimentos pelos quais passou, na transferência para o hospital e no atendimento de emergência, o jovem estava consciente. Ele chegou a cantar rap para os médicos e arrancar risadas de quem o socorreu, relata a mãe. Ecos do tempo em que tocava percussão e violão no Centro Social Madre Francisca Lechner.

Segundo a mãe, ele não tinha muitas inimizades. Trabalha com o padrasto como servente de pedreiro e ajuda a levar renda para a família de seis pessoas. Ele se alistou e aguarda para servir ao Exército.

Há três anos, porém, a violência tirou uma das pessoas mais próximas dele. O antigo padrasto, que ajudou a criá-lo, morreu em um assalto na esquina de casa. Desta vez, a família não suspeita de roubo, pois ele retornou com a mesma roupa e dinheiro nos bolsos. Porém, tampouco tem ideia da motivação do ataque.

"É um cara querido. Só o que nos relatou é que foi mais de uma pessoa", diz a mãe.

Investigação

A Polícia Civil não descarta nenhuma hipótese. A principal linha de investigação no momento, segundo o delegado Gabriel Zanella, é tentativa de homicídio. A polícia ainda coleta e analisa imagens de câmeras de segurança nas imediações de onde o crime ocorreu.

O delegado aguarda a recuperação do jovem para que ele preste esclarecimentos. Familiares e outras testemunhas já foram ouvidas.

Por Matheus Beck, G1 RS

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