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Facção alicia venezuelanos para traficarem na fronteira de MS

Facção alicia venezuelanos para traficarem na fronteira de MS

29/10/2019 às 13h14 Atualizada em 29/10/2019 às 16h14
Por: Redação
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Facção alicia venezuelanos para traficarem na fronteira de MS

Desempregados e sobrevivendo de doações da sociedade, refugiados venezuelanos que chegam em Dourados estão sendo recrutados por organizações criminosas para atuarem no tráfico de drogas na fronteira de MS. Recentemente um grupo de imigrantes que estava em Indápolis foi abordado por pessoas que se identificaram como membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e ofereceram “trabalho” na organização com salários que passam de R$ 7 mil ao mês. Depois disso, seis refugiados que até então, estavam empregados, pediram demissão. Com pagamento atrativo e condições “favoráveis”, já que Dourados é o principal corredor do tráfico da América Latina, os imigrantes que vivem em condições precárias e precisam conseguir dinheiro para trazer o restante da família, se tornam iscas fáceis.  

Em setembro desse ano, um venezuelano foi preso pela Guarda Municipal de Dourados com maconha próximo a uma escola na região do Bairro João Paulo II. O homem de 28 anos, disse que mantinha outras porções da droga em sua residência, onde foram encontrados 453 gramas de maconha dentro do refrigerador. Outras situações envolvendo furto, violência doméstica, desacordo comercial e abuso foram registrados pelos setores de segurança pública em Dourados. No dia 12 de outubro, 30 venezuelanos foram detidos sob a suspeita de estarem traficando drogas em Roraima junto ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo as investigações, os suspeitos pertencem à maior facção da Venezuela, chamada Pranato, e agiam em Pacaraima, cidade roraimense que faz fronteira com o país vizinho.

Mais de 1 mil venezuelanos chegaram em Dourados na Operação Acolhida 

O município já recebeu 1 mil venezuelanos via Operação Acolhida e cerca de 500 que chegaram no município de forma avulsa ou independente, fugindo da crise política, econômica e social do país de origem. Muitas vezes são famílias inteiras que entram no território de Roraima para escapar da fome.  

O PROGRESSO apurou que as quatro primeiras caravanas que chegaram a Dourados pela Operação Acolhida foram direcionados para o mercado de trabalho. Depois disso, outros oito grupos que vieram, não tiveram a mesma sorte. 

Muitos sobrevivem da ajuda de igrejas e grupos de voluntários que estão diariamente arrecadando alimentos, providenciando casas e doações diversas para que essas famílias que chegam tenham o mínimo de dignidade. Robinson Ferreira é voluntário da igreja católica. Desde a primeira chegada dos imigrantes dia 03 de fevereiro de 2019,  ele tem apoiado e participado de várias “correntes do bem” em prol dos imigrantes que chegam em Dourados. 

Segundo ele, todas as semanas chegam famílias inteiras ao município precisando de ajuda. “Há poucos dias um casal com três crianças contou que permaneceu por 16 dias nas estradas pegando carona para chegar até Dourados. Posteriormente o casal recebeu um irmão que levou 51 dias e um primo que levou 15 dias na estrada. Um outro casal com duas crianças conseguiu chegar até Cuiabá esta semana, mas pede ajuda para se deslocar até Dourados, tendo em vista a ajuda que recebem aqui das igrejas”, destaca. 

É o caso de uma família inteira, que mora no Jardim Florida, e está vivendo de doações. São 15 integrantes, todos desempregados.  

Conforme o voluntário, são duas situações que precisam ser consideradas. A primeira é que a grande maioria não tem qualificação básica para o mercado de trabalho e quem tem qualificação, como alguns engenheiros que aqui chegaram acabam sendo “explorados” com salários que não chegam a R$ 1,5 mil para sustentar toda a família. Ele alerta que apesar de estarem de forma “avulsa” em Dourados, não quer dizer que estejam ilegal. “Muitos fizeram a documentação em Boa Vista/RR e entram numa fila de espera para conseguir o vôo que vem para Dourados. Porém muitas vezes, dependendo da situação em que estão e tendo familiares que ajudam com um pouco de dinheiro, ou ajuda de igrejas, conseguem vir de vôo, assim como estes que vêm de carona e de navio. A maioria fez a documentação no Brasil o que permite que eles fiquem no país com o Documento de Refúgio por um ano. Após esse prazo, eles terão que renovar a permanência com a Polícia Federal para não ficarem ilegais no Brasil”, explica.

Maioria dos venezuelanos busca recomeçar a vida de forma honesta

Rafael José Mejias Cedemos é ex-capitão da Armada Nacional da Venezuela (Marinha). Ele reside no Parque das Nações I em um residencial com outros 30 imigrantes, entre adultos e crianças, em oito quitinetes alugadas.Ele conta que é formado em engenharia industrial e fala quatro idiomas, sendo  Espanhol, Português, Inglês e Francês. 

Ele saiu da Venezuela (desertou das forças armadas), por perseguição do sistema autoritário de Nicolás Maduro, após prender alguns bandidos que tinham ligação com o próprio Maduro.

Seu diploma na Universidade, do curso de Engenheiro Industrial, foi retido a mando do Maduro. Já em Dourados, é considerado um líder pelos venezuelanos residentes nesse local, tanto que, ele mesmo reúne todas as doações recebidas e posteriormente distribui entre os moradores. O ex-militar se diz descontente com as ocorrências policiais em que alguns de seus compatriotas vem se envolvendo. Para ele, isto não está certo com o país que os acolheu. Também destaca que nem todos os venezuelanos são como os que cometeram crimes no país, já que a grande maioria só busca mesmo recomeçar a vida de forma honesta com a sua família.

Rafael Mejias e a família buscam recomeçar a vida no Brasil 

Apenas 9% dos venzuelanos conseguem emprego 

Imigrantes pedem ajuda nos semáforos em MS. Foto: Midiamax

Em levantamento feito com mais de 4,1 mil pessoas em 13 municípios do estado, a agência da ONU revela que 59% desses refugiados e migrantes estão sem trabalho. Um em cada três tem dificuldade em ter o que comer. Em levantamento feito com mais de 4,1 mil pessoas em 13 municípios do estado, a agência da ONU revela que 59% desses refugiados e migrantes estão sem trabalho. Um em cada três tem dificuldade em ter o que comer.

De acordo com o organismo das Nações Unidas, 32% dos venezuelanos entrevistados tinham emprego em seu país de origem. “A Venezuela vive uma situação social muito difícil, onde vários bens necessários no dia a dia estão faltando, (como) alimentos, energia, itens de saúde. Mesmo as pessoas que estão empregadas hoje têm dificuldade de manter o seu padrão de vida lá”, explica o coordenador de projeto da OIM, Marcelo Torelly.

A publicação da agência da ONU ressalta que 29% dos venezuelanos possuíam alguma formação especializada (ensino médio técnico, tecnólogo ou faculdade) completa ou incompleta, com quase 15% tendo frequentado uma universidade, ainda que não tivessem acabado o curso. Segundo o relatório, 61% dos entrevistados tinham concluído ou pelo menos iniciado o ensino médio.A OIM aponta ainda que os venezuelanos que estão chegando a terras brasileiras querem e almejam um emprego — 51% dos entrevistados disseram que sua primeira área de interesse era informação e suporte para a geração de renda e trabalho. 

Em Dourados, 440 empregados estão atuando na JBS, que explicou ao O PROGRESSO que todo o processo de contratação. 

1-Porque a JBS resolveu dar oportunidade de emprego aos refugiados venezuelanos? 

A Companhia tem forte presença na região e vem ampliando sua produção e, consequentemente, oferece oportunidades de empregos nestes locais e que não são absorvidos pela população local. O fato coincidiu com a inserção da cidade de Dourados na rota do programa de interiorização do governo e com o pedido de ajuda do Exército por meio da Operação Acolhida e a empresa estendeu as ofertas aos venezuelanos.

2- Quantos venezuelanos a empresa tem contratado no Estado? Quantos em Campo Grande e quantos em Dourados? 

Ao todo, são 548 venezuelanos contratados pela JBS, sendo 440 atuando na unidade de Dourados e 108 que estão trabalhando na planta de Itapiranga-SC, que foi a primeira a acolher os imigrantes, em novembro do ano passado.

3- Como funcionam as contratações? Já chegam com emprego garantido? Como é feito esse acordo com o governo federal?

Uma equipe de Recursos Humanos do Exército Brasileiro organizou o preenchimento das fichas cadastrais e a seleção, além de viabilizar a estrutura para as entrevistas online com a JBS, com apoio das ONGs envolvidas. Após a aprovação, os candidatos realizaram os exames admissionais em Boa Vista-RR. O primeiro processo seletivo para unidade de Dourados começou no mês de janeiro deste ano e, em fevereiro, o primeiro grupo foi recepcionado na unidade. Em menos de seis meses, a unidade de Dourados recebeu quatro grupos (11/02, 08/04, 22/04 e 13/05). 

 4- E as demissões? Quantos dos contratados não se adaptaram e pediram demissão?

Não divulgamos essa informação. A área de Recursos Humanos das unidades da JBS acompanha a integração social dos venezuelanos de perto em função da peculiaridade da situação, assim como outras necessidades, além de trabalhar para garantir a inclusão e direcionamento profissional desses profissionais.

5- A empresa contrata somente aqueles que chegam no Brasil por meio da Operação Acolhida, ou dá oportunidade para aqueles que já estão no Brasil e que precisam de emprego? 

A seleção foi realizada com apoio da Operação Acolhida, porém, em qualquer unidade que disponibilize vagas, interessados de qualquer nacionalidade podem se candidatar, desde que estejam com a documentação de acordo com as exigências do governo.

6- Existe um compromisso de se informar as autoridades sobre as demissões daqueles que não se adaptaram?

Existe uma comunicação aberta e constante com o Exército Brasileiro e demais entidades envolvidas.

7-  Qual o salário médio pago aos venezuelanos? 

Cada colaborador recebe de acordo com a função desempenhada, independente da nacionalidade. 

8- Existem venezuelanos contratados com capacitação profissional acima da maioria?

Cada colaborador contratado é direcionado para a área mais próxima de sua especialidade, de acordo com a disponibilidade de vaga, independente da nacionalidade.

Fonte: O Progresso

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