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Geral ESCRAVIDÃO

Mulher vai visitar antiga patroa da mãe, e vive 9 meses como 'escrava' de família

Vítima disse que conseguiu escapar do imóvel e casal a encontrou perdida na rua e pediu ajuda na igreja do bairro. No local, PM viu a situação e a levou para delegacia, quando polícia ficou sabendo da situação

01/04/2021 09h34
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Por: Redação 2 Fonte: G1
Divulgação
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"Era obrigada a limpar duas casas no mesmo terreno e a comer somente as sobras de comida, depois que todo mundo já tivesse terminado". É este o trecho do depoimento de uma mulher, de 34 anos, natural de Mateus Leme, em Minas Gerais e que viveu 9 meses em condição análoga à escravidão, em uma casa no bairro Guanandi, em Campo Grande.

A polícia ficou sabendo dos fatos há 9 dias, após ela conseguir escapar do local e pedir ajuda na rua. No entanto, se perdeu no trajeto e conseguiu ajuda de um casal, que a colocou no carro e a levou para uma igreja nas proximidades. No local, um policial militar assistia um culto e presenciou os fatos, quando tomou para si a responsabilidade e levou a vítima para a Casa da Mulher Brasileira.

"A mulher estava com a chave do portão, então saiu pedindo ajuda na noite de domingo e se perdeu, porque não conhece nada aqui. E é neste momento que eu queria ressaltar a ajuda de um casal, que a encontrou perdida na rua, precisando de ajuda e tiveram a coragem de colocá-la no carro. Depois o PM a trouxe na Casa da Mulher Brasileira e lá ela passou por todo o nosso atendimento psicológico", afirmou ao G1 a delegada Joilce Ramos.

Conforme a delegada, a vítima possui retardo mental, porém, consegue falar com clareza. "Ela disse que fazia 15 dias que estava aqui, ainda está sem noção do tempo. Nós ligamos para a mãe dela e ela nos contou que já fazia 9 meses que ela não tinha notícias da filha. No depoimento, a mulher conta que foi visitar uma antiga patroa da mãe e de lá foi trazida a força para Campo Grande", contou.

Vítima disse que não teve opção

Ao chegar aqui na capital sul-mato-grossense, a mulher passou a conviver com a idosa, de cerca de 80 anos, além do neto e a esposa dele. Eles são, respectivamente, mãe e filho da ex-patroa da vítima, que mora em Minas Gerais. "A mulher disse que não teve opção, não teve escolha. E conversando com a mãe dela, por telefone, soube que a vítima foi passear na casa da ex-patroa da mãe, a qual ela trabalhou por quase 10 anos", explicou.

Pouco tempo depois, algum familiar apareceu na casa da mãe da vítima e, segundo a polícia, teria dito: "Olha, a fulana vai embora com a gente pra Campo Grande e eu vim buscar as roupas dela". A mãe disse que "ficou sem entender" e achou que a filha realmente estivesse querendo ir embora, quando entregou as roupas dela.

"A partir daí, a mãe não teve mais nenhum contato e a mulher falou que, ao chegar aqui, a primeira coisa que fizeram foi apagar todos os contatos do celular dela. Ela vivia em uma casa com o portão trancado e só saía com o neto. Falou também que tinha que limpar as duas casas sem receber nenhum centavo, que não compravam roupas, nada, e ela só podia comer as sobras, além de ser xingada e mal tratada", ressaltou.

Segundo a polícia, também existe a suspeita de gravidez. "A mulher também está com a barriga grande, redonda, porém, ela negou abuso sexual e a delegada de Minas Gerais já a levou no médico para saber se está gestante ou não", explicou.

Até o momento, a Polícia Civil conseguiu identificar nome das suspeitas, mas, ainda não identificou o neto. "Nós fizemos 3 diligências, um delas com a vítima. Ela conseguiu lembrar o local onde fazia compras no mercado, local em que ela só para carregar as sacolas empurrando a bicicleta. Também me falou que a casa possui portão amarelo com lixeira de madeira. Eu fui até com o meu carro particular procurar essas características, porém, ainda não conseguimos identificar o local", falou.

Delegada custeou passagem para vítima

Após instaurar inquérito e finalizar o procedimento, a delegada disse que a mulher ressaltou o quanto queria ir embora e ver novamente a mãe dela. "A Casa da mulher Brasileira não tem setor específico para comprar passagens e, quando isso ocorre, geralmente é feita uma vaquinha. Nesse caso, uma passagem de avião iria demorar muito, por ser mais cara e eu acho que ela não teria condição de ir embora de ônibus, então eu paguei e o caso já está com a polícia de lá também", finalizou.

A Polícia Federal (PF) também tomou conhecimento dos fatos e dará prosseguimento às investigações

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