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Geral TEMPESTADE SOLAR

Grande tempestade solar pode acabar com internet mundial

Segundo cientistas vêm alertando há anos, uma tempestade solar extrema

03/09/2021 20h53
Por: Redação 2 Fonte: TECMUNDO

Segundo cientistas vêm alertando há anos, uma tempestade solar extrema — ou ejeção de massa coronal (erupção de gás ionizado a alta temperatura proveniente da coroa solar) — poderia danificar as redes elétricas da Terra e potencialmente causar apagões de energia prolongados. O impacto dessa emissão solar poderia ser fatal à infraestrutura da Internet, especialmente para os cabos submarinos intercontinentais.

A nova pesquisa que trouxe o alerta foi apresentada na conferência SIGCOMM 2021, na última semana. Sangeetha Abdu Jyothi, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), exibiu um exame dos danos que uma nuvem de partículas solares magnetizadas em movimento rápido poderia causar à internet. Com uma tempestade solar severa, mesmo que a energia retorne em horas ou dias, as interrupções em massa da internet persistiriam.

A cientista afirmou, em entrevista ao site da revista Wired, que a infraestrutura local e regional da internet correria baixo risco de danos, já que a fibra óptica não é afetada por correntes induzidas geomagneticamente e os cabos são aterrados regularmente. O problema são os longos cabos submarinos que conectam continentes: uma tempestade solar que interrompesse vários desses cabos poderia causar uma perda massiva de conectividade.

Segundo a pesquisadora, a tempestade poderia “cortar os países na fonte”, mesmo que deixasse a infraestrutura local intacta. Ela lembrou que, com a pandemia, vimos como o mundo estava despreparado, sem protocolo para lidar com um problema global de forma eficaz. “E é o mesmo com a resiliência da Internet”, disse. E completou: “Nossa infraestrutura não está preparada para um evento solar em grande escala. Temos um entendimento muito limitado de qual seria a extensão do dano”.

Tempestades solares severas são tão raras que existem apenas três exemplos na História recente. Grandes eventos em 1859 e 1921 demonstraram que os distúrbios geomagnéticos podem interromper a infraestrutura elétrica e as linhas de comunicação. Durante o “Evento Carrington” de 1859, bússolas ficaram descontroladas e a aurora boreal foi visível no equador, na Colômbia.

Em 1989, uma perturbação geomagnética causou um blecaute de nove horas no nordeste do Canadá — também antes da infraestrutura moderna de internet. Depois de três décadas de baixa atividade de tempestades solares, Abdu Jyothi e outros pesquisadores acreditam que a probabilidade de outro incidente vem aumentando.

Por que a internet está em perigo?

Cabo submarino de internet na costa do oceano Atlântico. (Fonte: Laiotz/Shutterstock)

Para transmitir dados através dos oceanos, os cabos intercontinentais são equipados com repetidores em intervalos de aproximadamente 50 a 150 quilômetros. Esses dispositivos amplificam o sinal óptico, garantindo que nada se perca no caminho. Embora o cabo de fibra óptica não seja diretamente vulnerável a interrupções por correntes induzidas geomagneticamente, os componentes eletrônicos dos repetidores são. E falhas constantes no repetidor tornam um cabo submarino inteiro inoperante.

Segundo a pesquisadora, a tempestade poderia “cortar os países na fonte”, mesmo que deixasse a infraestrutura local intacta. Ela lembrou que, com a pandemia, vimos como o mundo estava despreparado, sem protocolo para lidar com um problema global de forma eficaz. “E é o mesmo com a resiliência da Internet”, disse. E completou: “Nossa infraestrutura não está preparada para um evento solar em grande escala. Temos um entendimento muito limitado de qual seria a extensão do dano”.

Tempestades solares severas são tão raras que existem apenas três exemplos na História recente. Grandes eventos em 1859 e 1921 demonstraram que os distúrbios geomagnéticos podem interromper a infraestrutura elétrica e as linhas de comunicação. Durante o “Evento Carrington” de 1859, bússolas ficaram descontroladas e a aurora boreal foi visível no equador, na Colômbia.

Em 1989, uma perturbação geomagnética causou um blecaute de nove horas no nordeste do Canadá — também antes da infraestrutura moderna de internet. Depois de três décadas de baixa atividade de tempestades solares, Abdu Jyothi e outros pesquisadores acreditam que a probabilidade de outro incidente vem aumentando.

Cabos submarinos são aterrados apenas em intervalos estendidos, separados por centenas ou milhares de quilômetros, o que deixa componentes vulneráveis e expostos a correntes induzidas geomagneticamente. Além de tudo isso, uma grande tempestade solar também pode derrubar qualquer equipamento que orbite a Terra e possibilite serviços como internet via satélite e posicionamento global.

As ejeções de massa coronal tendem a ter mais impacto em latitudes mais altas, perto dos polos magnéticos da Terra. A Ásia, por exemplo, enfrenta menos riscos, porque Cingapura atua como um hub para muitos cabos submarinos na região e está no equador. Muitos cabos nessa região também são mais curtos. Já cabos que cruzam os oceanos Atlântico e Pacífico em altas latitudes correm maior risco de sofrer com tempestades moderadas.

Dependendo de onde ocorrem as interrupções, Abdu Jyothi diz que os sistemas de roteamento de dados básicos como o Border Gateway Protocol e o Domain Name System podem começar a funcionar mal, criando interrupções contínuas. É a versão da Internet dos engarrafamentos que aconteceriam se os sinais de trânsito desaparecessem e os semáforos se apagassem nos cruzamentos movimentados de uma grande cidade.

Quais as chances reais de enfrentarmos uma tempestade solar extrema?

Embora as fortes tempestades solares sejam extremamente raras, os riscos são perigosamente altos. Uma interrupção prolongada da conectividade global dessa escala afetaria quase todos os setores e pessoas na Terra.

A infraestrutura da Internet, no entanto, traz mais incógnitas do que respostas. Abdu Jyothi enfatizou que seu estudo é apenas o começo de uma pesquisa interdisciplinar muito mais extensa, que precisa de modelagem para entender completamente a escala da ameaça.

 

 

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