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Em seis anos, número de produtores de leite caiu pela metade no Rio Grande do Sul

Segundo Emater/RS-Ascar, baixa rentabilidade é um dos principais motivos para retração do setor no estado

09/09/2021 09h01
Por: Redação1 Fonte: jornalgauderionews
Nereida Vergara / CP
Nereida Vergara / CP

Desestímulo de rentabilidade, diante do impacto dos custos, dificuldades de sucessão familiar, migração para atividades mais rentáveis como plantio de grão e pecuária de corte são alguns dos motivos que levaram, nos últimos seis anos, a uma queda de 52,28% no número de produtores de leite do Rio Grande do Sul que estão vinculados à indústria.

Dados coletados pela Emater/RS-Ascar, entre 27 de junho e 20 de julho, que compõem o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite do Estado de 2021, apontam que seguem na ativa hoje 40.182 produtores, 10.482 a menos que em 2019 (data do último relatório) e 44.017 a menos do que em 2015, quando se iniciou a pesquisa.

O relatório revela ainda que o rebanho leiteiro do estado encolheu 25,94% desde 2015, saindo de 1.174.762 milhão de cabeças para 870.060 mil em 2021. Em contrapartida, a produção do segmento teve uma queda discreta em relação à redução de produtores, de 3,15%, passando de 4,21 milhões de litros em 2015 para 4,07 milhões de litros em 2021, o que comprova o avanço nas produtividades por propriedade.

O segmento de produtores que perdeu mais representatividade foi o daqueles cuja produção diária se limita a 50 litros, que em 2015 representavam 23,86% do total de vinculados à indústria e em 2021 estão em 8,78%. Coordenador do estudo, o assistente técnico estadual da Emater Jaime Ries diz que o resultado de 2021 confirma uma tendência de transformação do segmento leiteiro do estado nos últimos anos, onde consegue sobreviver o produtor organizado e que se profissionaliza na atividade, adequando-se a critérios de qualidade e produtividade. “A constância dos dados nos demonstra com muita segurança e de forma clara esta tendência”, comenta Ries.

O vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Eugênio Zanetti, confirmou que a entidade vem observando esse comportamento há bastante tempo e alertando à cadeia leiteira que o produtor que abandona a atividade tem muita dificuldade de voltar. Zanetti atribui parte da desistência ao fato de que o produtor de 50 a 100 litros/dia ganha cerca de 10% menos pelo litro do que o produtor de 1 mil litros/dia, relação que, segundo ele, deveria “ser revista” com mais justiça.

Para o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, o futuro do produtor depende realmente de ter produtividade. A variação de preços se deve a inúmeros critérios, entre eles a qualidade, mas também é influenciada pela capacidade logística das indústrias que torna a captação pouco vantajosa no caso de pequenas quantidades.

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