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Calor extremo pode afetar 1 bilhão de pessoas nos próximos anos

Estudo sobre o tema foi divulgado pelo Met Office, o serviço meterológico no Reino Unido

11/11/2021 08h20
Por: Redação1 Fonte: Nd Mais
Met Office/Reprodução
Met Office/Reprodução

Pelo menos um bilhão de pessoas, incluindo uma grande parte do Brasil, podem ser afetadas pelo calor extremo se as temperaturas globais aumentarem 2°C, alerta um estudo divulgado pelo Met Office, o serviço meterológico no Reino Unido.

Segundo o texto, o planeta pode atingir níveis de calor perigosos e potencialmente fatais no futuro se a tendência de aquecimento seguir o curso atual sem medidas de redução drástica de emissões de gases estufa.

“O número de pessoas que vivem em áreas afetadas por estresse térmico extremo aumenta de 68 milhões hoje para cerca de 1 bilhão”, diz o estudo.

O tema foi apresentado também durante a COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas). O principal objetivo da cúpula climática é conseguir limitar o aquecimento global a 1,5ºC, mas os delegados têm advertido de que “há muito trabalho” ainda a ser feito para alcançar essa meta.

Um aumento de 4ºC, alerta ainda o estudo, “pode fazer com que quase metade da população mundial viva em áreas potencialmente afetadas”.

Entenda o chamado “estresse térmico”

Segundo o estudo, o estresse térmico é definido como uma temperatura global do chamado bulbo úmido (padrão internacional para medir o estresse de calor a que as pessoas são sujeitas) acima dos 32°C, uma medida que avalia a combinação de fatores como a temperatura, a umidade, a velocidade do vento e a radiação solar.

Quando essa medida atinge os 35°C, o corpo humano não consegue arrefecer com o suor e até as pessoas saudáveis que estejam à sombra podem morrer em apenas seis horas.

Nessas condições, o estudo alerta que as pessoas sujeitas a esse estresse térmico extremo podem sofrer com exaustão pelo calor e com sintomas que incluem sudorese intensa e pulso acelerado.

“Acima desse nível, as pessoas passam a estar em risco extremo. Os membros vulneráveis da população e quem tiver trabalhos físicos ao ar livre corre maior risco de efeitos adversos à saúde. Atualmente, a métrica é usada em vários locais, como regiões da Índia, mas a nossa análise mostra que com um aumento de 4ºC, o risco de calor extremo pode afetar pessoas em grandes áreas da maioria dos continentes do mundo”, explica Andy Hartley, líder de Impactos Climáticos do Met Office.

Impactos

No verão de 2020, cerca de um quarto da população dos Estados Unidos sofreu os efeitos do calor extremo, com sintomas que incluíam náuseas e cólicas. Pelo menos 166 mil pessoas morreram devido a ondas de calor nas duas décadas até 2017, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

O estudo do Met Office é baseado na pesquisa do projeto Helix, financiado pela União Europeia, que também mapeia os riscos crescentes de inundações, incêndios florestais, secas e insegurança alimentar.

“A nova análise combinada mostra a urgência de limitar o aquecimento global bem abaixo dos 2°C. Quanto maior for o aquecimento, mais graves e generalizados são os riscos para a vida das pessoas. Mas ainda é possível evitar esses riscos mais elevados se agirmos agora”, afirmou Richard Betts, MBE da Universidade de Exeter e do Met Office.

Países atingidos

Países tropicais, incluindo o Brasil, são mais atingidos pelo estresse extremo de calor. Albert Klein Tank, diretor do Met Office Hadley Center, alertou que essa pesquisa demonstra que são várias as regiões do mundo onde se prevê que ocorram os impactos mais graves.

“No entanto, espera-se que todas as regiões do mundo – incluindo o Reino Unido e a Europa – sofram impactos contínuos das mudanças climáticas”, acrescentou.

Há algum risco em SC?

A reportagem procurou um profissional para explicar a situação e questionar se Santa Catarina também corre o risco de passar por este fenômeno. Na opinião do meteorologista Piter Scheuer, não há motivo para alarmismo no Estado.
“A atmosfera está em constante equilíbrio. Pode acontecer de termos alguns períodos de aquecimento mais fora do comum e períodos em que você tenha um maior resfriamento. A atmosfera tenta compensar o que no passado a gente teve. Por exemplo, se tivemos um pico muito alto de calor, se tivemos um pico muito prologado de frio”, afirma o profissional.

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