
ATENÇÃO: RS investiga caso suspeito de ebola
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul investiga um caso suspeito de doença pelo vírus ebola em um homem de 64 anos que esteve recentemente em Uganda, na África Oriental. Atendido em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, o paciente testou positivo para malária, mas a suspeita da doença viral continua sob investigação.
Segundo a pasta, em nota divulgada na noite desta quinta-feira (11), o teste rápido para malária deu positivo para o parasita Plasmodium falciparum, e o tratamento específico foi iniciado imediatamente.
Embora a malária seja, até o momento, o principal diagnóstico, o caso permanece em investigação para ebola, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
O descarte definitivo dependerá do resultado do laboratório nacional de referência, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O homem será transferido para a unidade de referência estadual, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre — onde receberá acompanhamento especializado e terá amostras encaminhadas para análise.
Se o caso de ebola for confirmado, o paciente será encaminhado a um hospital de referência nacional.
A secretaria informou que comunicou o caso ao Ministério da Saúde assim que a suspeita surgiu. As ações vêm sendo conduzidas em conjunto com as autoridades municipais e o ministério, de acordo com os protocolos de vigilância, assistência e biossegurança.
Também já foi iniciado o mapeamento e o monitoramento das pessoas que tiveram contato com o paciente. Elas serão acompanhadas por 30 dias, período que permite identificar precocemente o surgimento de sintomas.
Os serviços de saúde envolvidos receberam orientações sobre prevenção e controle de infecções.
Surto de ebola na África
O alerta ocorre em meio a um surto de ebola na República Democrática do Congo, na África Central.
São pelo menos 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados divulgados pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Desse total, 101 casos foram confirmados, com 10 óbitos. Em Uganda, país vizinho de onde veio o paciente atendido no RS, há cinco casos confirmados e uma morte.
Outros casos suspeitos no Brasil
Além do Rio Grande do Sul, São Paulo também investiga um caso suspeito de ebola.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) anunciou, na quarta-feira (10), a apuração envolvendo uma brasileira de 31 anos que viajou a trabalho para a província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo. Ela chegou ao Brasil no sábado (6) e começou a apresentar sintomas, como febre e diarreia, na terça-feira (9).
Atendida inicialmente em um hospital particular, a mulher foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde está internada em leito de isolamento e em estado estável, conforme os protocolos de biossegurança. O teste rápido para malária deu negativo, segundo a SES-SP.
A secretaria abriu a investigação porque a paciente se enquadra nos critérios para caso suspeito: histórico de viagem a uma região com transmissão da doença e surgimento de sintomas após a chegada ao Brasil.
Ainda não há confirmação laboratorial da infecção pelo vírus, e as análises estão a cargo do Instituto Adolfo Lutz.
Outros dois casos suspeitos foram descartados pelo Ministério da Saúde no dia 1º, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.
Para o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o risco de um surto da doença no Brasil e na América do Sul segue classificado como muito baixo.
O que é o ebola
O vírus foi descrito a partir de uma epidemia registrada em 1976, com focos na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul. Um dos surtos daquele ano atingiu uma aldeia próxima ao rio Ebola, o que deu nome à doença.
O ebola provoca uma doença febril de alta letalidade. Entre 25% e 90% das pessoas que contraem a infecção morrem.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas, e também por objetos e superfícies contaminados, como roupas.
Uma pessoa só transmite o vírus quando já apresenta sintomas, e a doença não se espalha pelo ar.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ebola passa a circular entre os seres humanos a partir do contato com sangue, órgãos ou fluidos de animais infectados.
Os reservatórios naturais mais prováveis, onde o vírus vive e se multiplica, são morcegos da família Pteropodidae, que se alimentam de frutas.
Por não ser transmitido pelo ar e só circular entre pessoas com sintomas, o risco de disseminação internacional e de uma pandemia é considerado baixo.
Vírus respiratórios, como os da covid-19 e da influenza, espalham-se por aerossóis e têm transmissibilidade muito maior.
Principais sintomas
O período entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sinais varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, os sintomas iniciais mais comuns são:
febre
fadiga
mal-estar
dores musculares
dor de cabeça
dor de garganta
A lista se confunde com a de outras doenças, como dengue e influenza. O que costuma diferenciar o ebola é a presença marcante de febre, com menos sintomas respiratórios.
Ainda assim, apenas os sinais clínicos não bastam para o diagnóstico: a confirmação exige exame de PCR.
Com a evolução do quadro, podem surgir, conforme a OMS:
vômito
diarreia
dor abdominal
erupções na pele
comprometimento das funções dos rins e do fígado
Nos casos mais graves, a entidade aponta o risco de sangramentos internos e externos, como secreção sanguinolenta nas gengivas e sangue nas fezes.
Não há vacina
Esta é a 17ª epidemia de ebola na África desde 1976. O maior surto já registrado aconteceu entre 2014 e 2016, com cerca de 28,6 mil casos suspeitos na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria, e 11,3 mil mortes, segundo a Fiocruz.
Sem imunizante ou medicamento específico para essa variante, o cuidado médico se limita ao alívio dos sintomas. Os anticorpos monoclonais disponíveis funcionam apenas contra outra cepa do vírus, a Zaire.
O que diz o Ministério da Saúde
O Brasil nunca registrou um caso de ebola. Em 2014 e 2015, duas suspeitas chegaram a ser notificadas, uma em Cascavel (PR) e outra em Belo Horizonte (MG), mas os exames deram resultado negativo.
Consultado por Zero Hora, o Ministério da Saúde informou que ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais e intensificou a vigilância, especialmente entre pessoas com histórico de viagem aos dois países com casos confirmados.
De acordo com o órgão, o plano prevê:
identificação precoce de casos suspeitos, com notificação imediata;
isolamento seguro do paciente;
monitoramento de contatos para reduzir o risco de transmissão.
O ministério acrescentou que, seguindo orientação da OMS, o Brasil não deve fechar fronteiras nem impor restrições a viagens ou ao comércio.
No Rio Grande do Sul, o desfecho do caso de Novo Hamburgo depende do laudo da Fiocruz, que confirmará ou descartará a suspeita de ebola.