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ACCS emite nota expondo preocupação com atual cenário da suinocultura catarinense

A lei da oferta e procura está pairando em todos os cantos. Até quando? Boa pergunta, mas sem uma resposta de fundamento.

14/01/2022 16h54
Por: Redação1 Fonte: Assessoria ACCS
Arquivo/OP Rural
Arquivo/OP Rural
A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) divulgou na tarde desta quarta-feira (12) uma nota à imprensa sobre a atual situação da suinocultura no Estado de Santa Catarina. No documento, assinado pelo secretário de Agricultura de Braço do Norte e membro da ACCS Regional Sul, Adir Engel, destaca os altos custos de produção, principalmente dos produtores independentes, que giram atualmente na faixa de R$ 8 enquanto o preço pago pelo suíno vivo é R$ 4,50 na região Oeste catarinense, o que representa um prejuízo de R$ 350 na venda de um suíno de 100 quilos.
Outro problema exposto na nota é a super oferta de animais no mercado interno, sendo citado como uma das causas a diminuição das importações para a China, maior comprador de carne suína brasileira, desde outubro passado. Engel diz que a situação pode fazer com que muitos produtores que investiram pesado no aumento do plantel abandonem a atividade.
Nesta quarta-feira, uma comitiva com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina estará em Chapecó (SC) para visitar propriedades afetadas pela estiagem, oportunidade que o presidente da ACCS, Losivanio Lorenzi, irá acompanhar a visita e apresentará as demandas dos suinocultores.
Abaixo confira a nota na íntegra.
NOTA À IMPRENSA
Nossos cumprimentos. Passando para falar algumas palavras sobre a atual situação da Suinocultura em nossa região e hoje não sendo diferente em nenhuma região produtora deste Brasil afora. Fato é que a situação é de desespero, principalmente para os produtores independentes. Os custos de produção continuam na faixa dos 8,00 o kg (milho passando dos 100,00 a saca) e o preço recebido hoje pelo produtor aqui é de 4,50 por kg do suíno vivo. Isto significa 3,50 de prejuízo por quilo. Um suíno de 100 kg dando um prejuízo de R$ 350.
Quem aguenta ficar produzindo assim?
A melhor época do ano para venda de carne é final de ano. E este se vendeu muito novamente, mas o preço não ajudou. Aqui na região o preço na última semana do ano foi de 5,20.
Qual a explicação para esta situação?
Simples. Super oferta.
Empresas, cooperativas e produtores todos investiram em aumento de plantel, acreditando que as exportações não iriam diminuir ou acabar. A China foi a aposta maior. Mas todos cresceram e hoje está aí uma super produção com uma China comprando menos desde outubro. Os grandes jogaram suas sobras de suíno no mercado independente. Aqui mesmo na região entraram carretas e mais carretas de suínos da região Oeste do Estado. Situação está tão grave que tem integrados ficando com os leitões na granja já há 15 dias. Existe uma super oferta de leitões de quase todas as grandes agroindústrias do Estado. Leitões e suínos gordos. Eles que até outubro compravam dos independentes agora estão oferecendo.
A lei da oferta e procura está pairando em todos os cantos. Até quando? Boa pergunta, mas sem uma resposta de fundamento.
Existe a cota de 100 mil toneladas para a Rússia agora no início do ano. Existe a alegria de ver o Frigorífico Catarinense voltar a abater. Mas isso não resolve a situação do produtor.
O que fazer? Já foram tantas crises mas está afetando grandes, pequenos, independentes e integrados porque hoje o preço base para o leitão também baixou.
Que vai acontecer se muitos abandonarem a atividade? Onde os nossos frigoríficos vão buscar matéria-prima? No Oeste catarinense? Andar 600 km para buscar o suíno? Abater e ter condições de ser competitivo? Não. Infelizmente estamos perto de entrar numa crise onde não podeAmos medir as consequências.
Só no município de Braço do Norte se abate 60.000 suínos/mês. São 720.000 no ano. Façam a conta quanto isto movimenta só em suínos vivos, se cada suínos desse fosse vendido pelo preço de custo, ou seja, 800,00. Isso mesmo que você calculou. Quantos empregos? Quantas famílias vivem deste segmento?
Uma triste realidade onde não se vê uma luz no fundo do túnel.
Ah, e o preço ao consumidor final? Os preços praticados ao produtor ainda não são sentidos pelo consumidor final. Nada de super ofertas de carne suína. Enquanto se fala em carcaça a 7,50 o quilo, sendo vendida pelos frigoríficos, as ofertas chegam no máximo em 13,00 nos supermercados nas grandes cidades. Pelo menos alguém está ganhando alguma coisa.
Hoje, a Ministra da Agricultura Teresa Cristina vem a Chapecó ver a situação dos prejuízos da seca. A ACCS, através do seu Presidente Losivanio Luiz de Lorenzi, vai apresentar toda esta situação a Ministra ( aqui no Sul também foram mandadas sugestões do Sindicato Rural de Braço do Norte, ACCS e ACCB). Sabemos que o Governo não vai resolver o problema. Pode ajudar a amenizar. Mas a solução vem da lei da oferta e procura. Que fazer? Incentivar matar os leitões nascidos para ser crucificado pelos protetores dos animais? Situação bem difícil. Quem tiver a solução que a apresente.
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